Não seja educado, eduque-se

Qual a barreira existente para se encontrar qualquer informação no dia de hoje? Nenhuma. E qual o custo? nada.

Ou melhor, podemos considerar o custo de tempo em pesquisar e aprender determinado assunto. Mas em um âmbito geral o custo é insignificante se comparado a época das enciclopédias e quando as universidades centralizavam todo o conhecimento relevante produzido pela sociedade. Hoje qualquer assunto está na internet, através de tutoriais, cursos gratuitos e textos informativos.

Com esse cenário é cabível pensar que precisamos educar as pessoas no sentido de lidar com os conteúdos que já estão disponíveis. Para que elas saibam filtrar e analisar o verdadeiro valor daquilo que ele ira consumir. Esse valor deve ser realmente calculado, levando-se em conta o gasto em tempo e dinheiro aplicado àquele aprendizado e qual seria a contrapartida de tempo e dinheiro se isso fosse aplicado em outra situação.

Por exemplo, uma pessoa que deseja gastar 1 minuto com leitura. Tendo as opções de tópico como Alimentação Saudável ou Economia. Naturalmente, para que esse cálculo faça sentido ela tem que levar o contexto onde está inserida. Qual tópico agregara mais à sua vida naquele momento levando-se em conta sua profissão, sua condição de saúde e seus interesses intelectuais. Por exemplo, para uma pessoa com problemas de obesidade e com um bom entendimento de sua vida financeira, o texto sobre alimentação saudável renderia um maior valor do que o texto sobre economia naquele mesmo minuto levando-se em conta pouquíssimas variáveis. Para um cálculo bem apurado, naturalmente, uma reflexão profunda de valor é necessária.

Não me entenda mal, é claro que textos de 1 minuto podem ser lidos um após o outro e somar o conhecimento de dois tópicos com pouquíssimo esforço. Mas em situações cotidianas lidamos com cenários mais complexos onde 1 minuto pode representar 1 ano ou 4 anos no caso de uma graduação. É nessas situações que esse cálculo deve aparecer para mostrar que o tempo em que se dedica a uma graduação pode ser um tempo muito mal aproveitado ou de baixo valor se comparado ao mesmo tempo à tópicos que lhe instiga a aprender e desenvolver suas reais aspirações e inspirações. Aspirações essas que não devem necessariamente se enquadrar na estrutura curricular de um determinado curso. Porque não aprender Programação de Computadores e Filosofia, ou Desenho e Astronomia?. O conhecimento quando buscado de uma forma sábia porém atrelada aos verdadeiros interesses da mente trazem maior satisfação e valor para a vida e para a sociedade.

Não é necessário mais estar em uma universidade para se tornar alguém com um conhecimento digno de um bom emprego e um bom salário. É necessário curiosidade, indagações e crítica para ir atrás dos conteúdos que vão preencher suas necessidades intelectuais e prover habilidades para lidar com situações profissionais. Cada vez mais o mundo profissional se aproxima do mundo pessoal de cada pessoa. Onde seus propósitos, paixões e talentos, se devidamente trabalhados e incentivados, irão guia-lo à uma realização profissional pois esta pessoa está apta a criar valor. Aprender a buscar conteúdos que se atrelem ao seu contexto e as suas indagações para então criar valor a partir disso é a base para um perfil profissional independente, auto-motivado e bem sucedido.

Criar valor é criar valor pra alguém ou para um grupo de pessoas. O valor esta em tudo àquilo que é reconhecido por um terceiro como relevante, importante, necessário ou indispensável. Sendo o primeiro o de menor valor e o último o de maior valor. E o valor criado por cada pessoa não está na nota que o professor aplica à prova, longe disso. A nota no melhor dos casos representa o quanto daquele curso foi absorvido pelo aluno e quanto disso ele foi capaz de replicar em um tempo limitado e em questões limitadas. O verdadeiro valor daquele conhecimento talvez o aluno nuca saberá pois não aplicará em sua vida, por motivos de interesse ou de caminhos naturais da vida. E por isso o custo de se estar dedicando aquele curso é muito alto. Uma vez que não apenas está gastando seu tempo naquele curso como podia estar gastando com algo que lhe traz mais benefícios.

O mundo vem se tornando cada vez menos e preto e branco e mais colorido. Não conseguimos mais limitar os gêneros, as posições políticas, as formas de relacionamentos, entre outros conceitos sociais. A limitação não faz parte do ser humano, a libertação através do conhecimento sim. É primordial que o conhecimento não seja limitante e muito menos limitado dentro das barreiras de uma grade curricular. A formação pessoal deve ser projetada por sí próprio em cima das experiências relevantes durante a vida (sim, intuição faz parte) e mentores que foram escolhidos e lhe escolheram.

É preciso repensar como estamos nos educando e o que realmente significa a educação no mundo atual. O real conhecimento deve ser visto em um spectrum de cores e não somente como uma tinta preta em um papel branco com o título de uma graduação.

I breath, I eat, I love and I code.